(texto de outubro/2009)
Eu tenho um vizinho que eu não conheço, nunca nem vi. Soube da sua existência uma noite — foi há tanto, foi antes de tudo acontecer . . . Estava aqui, sozinho, no meu quarto, e ouvi lá na rua alguém assobiar aquela música. Corri à janela, olhei para os lados — o assobio vinha de dentro do prédio! Mas em seguida a melodia foi se alterando até parar. Nunca mais soube do meu vizinho . . .
Hoje, quando acordei, fui ouvir novamente a minha música. Depois de tantos meses de estranhos concertos e desacertos, voltei a ouvi-la regularmente. Então notei, de fundo, o assobio de meu vizinho acompanhando a melodia. Corri à janela — não!, o som vem de dentro, da porta — e foi então que o toque do celular me interrompeu. Era o despertador que eu tinha esquecido. Era ninguém. Também não ouvi mais o assobio.
– A música é meu vizinho que assobia. O toque do celular me arremessa a mundos distantes, volto em desespero escrevendo bobagens para o blog . . . Sabe, acho que eu sempre quis ouvir só o meu vizinho assobiar.
***
A música em questão é essa: