Post em resposta (antipática) a este com um texto lindo e uma foto ótima. Ou com uma foto linda e um texto ótimo. Decidam-se.
Eu tenho um amigo que tem um outro amigo chamado USHAVA. Chega sexta, sábado à noite e me liga meu amigo: vamos lá pr’USHAVA? Eu tenho dito não, mas lá vai meu amigo para junto de seu outro amigo. Volta logo e eu lhe pergunto no msn: E aí? Como tava lá seu querido USHAVA?? A resposta não muda: a mesma m. de sempre! . . . Eu não entendo o meu amigo, o que talvez tenha algo a ver com o seu outro amigo ser ainda mais difícil de entender: torce para todos os times de futebol, nacionais e do estrangeiro, mas se esquece de torcer para si mesmo; fala por dezenas, até centenas de vozes, sotaques, desejos e disfarces mas jamais ouviu uma única palavra do que disse; rescende nos decotes e músculos expostos, faz caras e charmes, cochicha, beija, afaga, promete mais para a madrugada e, no entanto, tudo isso no isolamento de um deserto ainda virgem da presença de uma alma humana. Afinal — eis o mistério do niilismo! –, o USHAVA são várias pessoas que são uma só e ninguém ao mesmo tempo . . .
Para alguém tantos paradoxos talvez sirvam de atrativo; não parece ser o caso do meu amigo. Ele, felizmente, não tem a sutileza bruta necessária para apreciar a poesia da vulgaridade — uma grave deficiência para o seu progresso na Academia brasileira (mais ainda na carioca), onde recentemente se concluiu que, assumindo o pressuposto foulcaultiano de uma generosa (para compensar a exclusão do capital, né?) bolsa do CAPES, se deduz analiticamente do conceito Tati Quebra-Barraco, por um processo de desconstrução transversal da heteronormatividade, que este “sujeito contestador” excluído pela modernização excludente aufhabt os maiores “monumentos” da “cultura” ideológica imperialista judaico-cristã . . .
Voltando ao USHAVA: não sei como ele e meu amigo se entendem, pois não entendo a ambos. Mas, dado que o USHAVA nada entende de si próprio, talvez meu amigo se entendesse um pouco melhor se soubesse menos daquela criança sem ingenuidade, daquele louco inteiramente previsível. E assim fosse mais amigo dele próprio, fosse o melhor amigo do meu amigo.
(aviso aos desavisados: há no centro de Petrópolis um bar trance-cult denominado Shavasana, mais conhecido como “o Shava”, deveras freqüentado por pessoas bonitas, interessantes e de conversa rica e diversificada. Quero dizer, exatamente pelo oposto disso . . . ).